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Archive for 22 de dezembro de 2010

E lá vamos nós novamente falar de política, Palestrinos.

Mas, dessa vez, prometo, o assunto nada tem a ver com as eleições de janeiro: quero falar de dinheiro. Nesta semana, pela 4ª vez no ano, o Conselho Fiscal do Palmeiras rejeitou as contas apresentadas pela atual diretoria. Ao tentar aprovar o balancete de novembro, com déficit de R$5 milhões, a conta bateu e voltou.

E, atenção, estamos falando só do mês de novembro. Estima-se que as dívidas do Palmeiras ultrapassem os 200 milhões de reais! Daí fica a grande dúvida: Belluzzo e sua turma são mesmo tão incompetentes?

Antes de mais nada, é bom dizer que a dívida do Palmeiras não tem dois, quatro ou seis anos de idade. Isso tudo é um acúmulo de décadas de descaso, especialmente as duas últimas (1990/2000), quando empregamos mal o dinheiro em caixa e geramos menos ainda. Só para efeito de comparação, quando a Parmalat deixou o clube, estima-se que houvesse mais de R$30mi em caixa.

Segunda coisa importante a se dizer: dever não significa necessariamente estar mal economicamente. Grandes empresas passam por períodos de dívidas para depois lucrar – isso se chama investimento. O que, já é bom enfatizar, é bem diferente de dever salários, por exemplo.

Quando o Barcelona investe em suas categorias de base, por exemplo, faz isso pensando no futuro; pensa em títulos, na venda de jogadores, etc. Quando o Santos investe altas quantias para manter um garoto de 18 anos chamado Neymar, faz isso sabendo que o retorno será muito maior no futuro. Quando a Red Bull monta um time no interior de São Paulo, faz isso pensando no lucro futuro com jogadores – além do maior conhecimento da marca no país.

Mas, entendam, isso não é simples. Após 111 anos de história, o Barcelona colocou um patrocínio em sua camisa porque suas dívidas já ultrapassam 400 milhões; para segurar Neymar, o Santos teve que procurar investidores e fatiar o lucro futuro; para dar asas aos seus lucros, a Red Bull investiu milhões em infra-estrutura.

Isso revela que, acima de tudo, é preciso inteligência.

E o que existe de inteligente em gastar dinheiro com Gioinos, Itamares, Dodôs, Missos, Tadeus e afins? Onde está a inteligência em pagar mais de R$14 milhões por um jogador de 27 anos como Valdívia? Qual a inteligência em deixar a sede social e o futebol do clube bebendo do mesmo caixa, se a reforma da piscina pode tirar dinheiro de transferências?

A grande verdade é que o Palmeiras mais “gasta” do que “investe”.

Porque o trabalho que vem sendo feito com a base nos últimos anos, com a construção do CT de Guarulhos e o investimento em comissão técnica de qualidade, é, sem dúvidas, um belo investimento. Mas, tentar contratar Ronaldinho Gaúcho com salários acima de R$1 milhão mensais, em um time que ficou devendo 3 meses de direito de imagem e só pagou os atrasados porque adiantou cotas de patrocínio, é uma burrice sem tamanho.

Ou você acha que Ronaldinho Gaúcho traria mais lucros para o Verdão do que para ele?

Antes de fazer planos dantescos, é preciso se planejar.

Ainda assim… Siamo Palestra!

ROJAS.

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