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Archive for dezembro \15\UTC 2014

Talvez o ano de 2014 não nos tenha deixado grandes referências sobre o futebol argentino, Palestrinos. Mas, mesmo assim, o título conquistado ontem pelo Racing pode ensinar muita coisa ao Palmeiras.

A começar pelo capítulo “ídolos”. Afinal, após dez anos sem títulos nacionais, o clube de Avellaneda foi atrás de sua maior referência recente: Diego Milito. Depois de deixar seu clube natal em 2004 e passar por muitas temporadas de sucesso na Itália, foi ele quem fez o time e a torcida comprarem a ideia de que o jejum poderia chegar ao fim. E muito embora ele tenha feito apenas seis gols em 19 rodadas, colocar nele a imagem de peça fundamental não é exagero para um elenco que era praticamente o mesmo do ano anterior.

O que nos leva ao segundo capítulo, “as finanças”. É óbvio que o atacante de 34 anos não voltou para a casa para jogar de graça (certamente teria mercado na Ásia e no Oriente Médio), mas também é certo que topou receber um salário muito abaixo do nível europeu. E para isso acontecer, a ligação emocional foi o ponto de partida – não tenham dúvidas. Quando se traz de volta um craque, é mais fácil envolver investidores, pedir a ajuda da torcida e até comover o atleta com seu passado.

Passado este que, para o Racing, não estava sendo muito vitorioso. Para se ter uma ideia, antes de quebrar o atual jejum, o clube passou por outro muito maior: foram 35 anos até o garoto Milito, então vindo da base, ajudar a equipe a conquistar o Torneo Apertura de 2004. Mas é preciso acreditar sempre, e a mentalidade da diretoria do clube ajudou na mudança de ventos do futebol profissional. Este, aliás, é o terceiro capítulo da lição: “mentalidade vencedora”.

Embora ambos sejam chamado de Academia, a intenção deste post não é comparar a histórias dos clubes em si – até porque somos um dos maiores da América, enquanto que eles estão apenas chegando ao top argentino. O momento de ambos, no entanto, é parecido. E é preciso aprender com o sucesso dos outros para que também se tenha sucesso.

A Sociedade Esportiva Palmeiras é centenária, conta com 15 milhões de torcedores apaixonados, já revelou muita gente boa e certamente tem grandes craques espalhados pelo mundo com vontade de jogar no Verdão por ser seu clube de coração (Hulk e Marcelo são exemplos). Ou pensamos com o tamanho que temos ou vai ficar difícil levantar uma taça importante novamente.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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Fora tantos os erros de 2014 que fica até difícil elenca-los, Palestrinos. É por isso que eu preferi começar pelos básicos.

(1) Montar um elenco equilibrado

O Palmeiras deste ano foi um time manco tanto no sentido literal, quanto no figurado. Basta observar alguns poucos jogos da temporada para perceber claramente que o time sempre forçou o jogo pelo lado esquerdo do campo. E a explicação, claro, está na montagem do elenco.

Enquanto a lateral esquerda chegou a contar com 5 opções, a direita mal tinha duas (a dupla Wendel & Weldinho só foi suplantada por João Pedro faltando três meses pro ano acabar). Isso sem falar nas tantas vezes que o time entrou em campo com Juninho, Victor Luís, Marcelo Oliveira, Mazinho, Mouche e Henrique – todos canhotos.

Isso sem falar em um grupo com mais de 40 atletas, sendo que nem metade deles (uns 15, no máximo) eram usados.

 

(2) Ter um sistema de jogo definido

Olhe bem para as equipes que terminaram 2015 em evidência e repare que todas elas têm uma coisa em comum: a cara bem definida.

O Cruzeiro, por exemplo, se acertou em um 4-5-1 ofensivo, privilegiando os lados do campo; o SPFC escolheu um 4-4-2 clássico, com dois volantes e dois meias; o Galo optou por um 4-3-3 de correria pura; e assim vai.

Já o Palmeiras oscilou durante toda a temporada jogando no 4-3-3, 4-4-2, 4-3-1-2, 5-3-2 e mais uma infinidade de números que, somados, nunca passaram de zero. A solução para um time como o nostro era mais do que clara: proteger a defesa lenta com volantes e privilegiar Valdivia abrindo o jogo com a velocidade dos jovens laterais para acionar Henrique na área.

É preciso ter um jeito de jogar, até para que o time se acostume a treinar e repetir dentro de campo.

(3) Dividir e delegar decisões

Eu não conheço a política do Palmeiras. Mas basta ler um pouco e ver o que aconteceu nesta temporada para perceber que a gerência de futebol era uma total bagunça.

Afinal de contas, aparentemente a diretoria chamou pra si o planejamento de elenco, mas nunca o fez de verdade.

Kardec e Henrique são os símbolos-mor disso, mas perdemos muitos outros coadjuvantes (Vilson, Márcio Araújo e William Matheus por exemplo) sem pensar na reposição. A gestão Kleina naufragou muito por isso.

Quando Gareca chegou e água já passava dos nostros joelhos, chegou também a barca de argentinos (alguns com preços totalmente irreais). Com Dorival e o desespero latente, chegou a barca da molecada da base. E assim por diante, sem pensar nem analisar absolutamente nada.

Ter um diretor de futebol e um gerente dedicados a isso é o caminho certo. Quem contrata é o clube, não o treinador.

(4) Treinar, treinar e treinar

Eu adoraria ter estatísticas sobre quantas cobranças de falta de escanteio o Palmeiras acertou este ano. Infelizmente não as tenho, mas garanto que o número não passa de 15%, quando muito.

Time que não cria com a bola nos pés tem que ter recurso. E nem bola parada nós tivemos em 2014! Se pegar a trajetória de Inter e Grêmio no campeonato, vamos ver que eles marcaram incontáveis tentos dessa maneira.

Nostra criação foi tão inoperante que não conseguimos nem pressionar equipes pequenas no bumba meu boi. Isso é falta de qualidade, mas, sem dúvida nenhuma, também é falta de treino.

Enfim, estes são apenas alguns exemplos. No entanto, já seria um bom começo para 2015.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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Lá se foi Alex, Palestrinos.

Justamente no dia em que sofremos até o último minuto por um time que não merecia um só segundo de atenção, nostro último grande camisa 10 pendurou as chuteiras.

Quis o destino e sua própria vontade que parasse no Coritiba, o clube de onde veio para defender nostras cores em 1997. Ainda me lembro de assistir no Globo Esporte à chegada daquele menino tímido e magro, ostentando um cabelo esquisito em uma cabeça invejável. Alex, em bem da verdade, parecia um mini craque. Seu futebol, pelo contrário, era maiúsculo.

Canhoto e habilidoso, não tardou em chamar a atenção das arquibancadas com seus passes precisos, lançamentos bem feitos e cobranças de falta que começaram a fazer o até então intocado Arce revezar com alguém. É bem verdade que demoramos um pouco para nos acostumar com seu ritmo. Acompanhar um atleta que faz a bola correr por si é tão raro que não foram poucas as vezes em que os chamamos de “Alexotan” (e pagamos por isso até hoje, aguentando craques do naipe de Bruno César e Felipe Menezes).

A primeira cena que me recordo de Alex com a camisa do Palestra foi chutando uma bola na trave durante a decisão do Brasileirão de 1997, diante do Vasco. Depois disso vêm incontáveis jogos inesquecíveis do Cabeção. Suas atuações perfeitas na Libertadores de 1999 (especialmente o jogo de São Januário pelas oitavas e o de volta contra o River na semi); a batida de falta que culminou no épico cabeceio de Galeano, em 2000; e, claro, a fábrica de chapéus inaugurada no Morumbi pelo Torneio Rio-SP de 2002.

Pensando bem, Alex marcou um novo período vitorioso na nostra história. Depois do elenco fantástico das temporadas 93/94 e da seleção do Paulistão de 1996, foi justamente em 98 que nasceu outro ciclo de títulos no Palestra Itália. Vieram Copa do Brasil, Mercosul, Libertadores, Copa dos Campeões… vieram títulos e grandes duelos que duraram quatro bons anos e morreram justamente quando o meia foi embora para a Itália.

Desde então, aliás, não houve palmeirense que não torcesse por Alex. No Parma foi difícil porque o time era fraco. Mas nas passagens por Cruzeiro (que não nos enfrentou em 2003), Fenerbahçe, Seleção (aliás, que vacilo do Felipão!) e novamente pelo Coxa, ele sabia que estávamos com ele. Ainda que fosse contra a gente.

Portanto, passada a tormenta dos últimos dias, só nos resta agradecer a Alexsandro de Souza por tudo o que fez pela Sociedade Esportiva Palmeiras. Valeu, garoto! Só não vou escrever que você aposentou o boné porque não existe um aparato deste que caiba nesta cabeça genial.

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Siamo Palestra!

ROJAS.

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Hoje eu te vi na TV, Dorival.

E confesso que a combinação da legenda “ex-técnico do Palmeiras” com a sua feição de derrota a lá Cuca, me fizeram sentir dó de ti. Afinal de contas, você jogou no Verdão, teu tio é um dos maiores ídolos da nostra história e te considero um homem sincero. O problema foi que eu comecei a te escutar e foi tudo por água abaixo.

Primeiro você disse que não queria ser só “um bombeiro”. Vá lá, até posso entender o seu desejo. Só não posso é acreditar que você considere isso uma anormalidade, visto o que aconteceu com o time desde que você assumiu. Embora o elenco em si seja terrível, o desempenho a seu comando foi tão ruim quanto o de seus comandados.

Invenções como a de Victor Luís no meio e Diogo na ponta esquerda foram algumas das piores coisas que já vi na vida. Isso sem falar na insistência com jogadores totalmente sem condições como Lúcio, Juninho, e, claro, o lixo do Wesley – que não é possível que só você, em todo o planeta, tenha achado que merecia ser titular.

É aqui, aliás, que chegamos ao capítulo “os argentinos”. Eu entendo que todos foram pedidos por Gareca e que você os herdou, mas não tem como achar que eles não mereciam mais chances. Cristaldo tinha que ter sido titular ao lado de Henrique, Mouche se mostrou ótima opção para segundas etapas, Tobio sempre esteve fisicamente acima de Lúcio e você escalou Allione apenas duas vezes (e é verdade que ele foi expulso em ambas). A sua má vontade com eles, no entanto, foi notória.

Some-se a isso também a sua falta de noção ao tremer diante da pressão e colocar Valdivia em campo no 1o tempo diante do Coritiba, no Couto Pereira. Por mais que todos nós soubéssemos da diferença que ele faz em campo, escalar um manco é total despreparo.

E, por fim não dá pra deixar de falar do sistema tático mais indefinido do mundo. Jogamos no 4-3-3, no 4-5-1, no 4-4-2, 3-5-2, 4-3-1-2… jogamos em absolutamente todas as formações existentes durante as partidas disputadas! E não precisa ser um gênio para saber que precisávamos de muito mais proteção para a zaga do que conseguiu fornecer durante todos estes meses.

Hoje eu te vi na TV, Dorival.
E dei graças a San Gennaro que já foi embora.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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O sorriso da Luisa é lindo – e contra fatos não há argumentos. No entanto, infelizmente esses dentinhos perfeitamente alinhados não estão sorrindo PELO Palmeiras. Estão sorrindo APESAR dele.

Não que ela saiba o que está acontecendo. Por sorte, seus menos de dois anos ainda não permitem que ela saiba o que anda passando dentro e fora dos jardins outrora suspensos da Água Branca. O que não deixa, em absoluto, o sorriso da Luisa menos lindo e ainda muito mais esperançoso para todos nós palmeirenses.

Acontece que quando o pai dela comemora, ela comemora junto. Faz festa, bota a camisa, grita “Tumelas”, entoa até um “Olê Porquinho” (ela ama porquinhos). O problema é que tanto o pai quanto o tio e o avô dela têm feito pouca festa ultimamente. Para nós, o sorriso lindo da Luisa é hoje muito mais um alento do que qualquer outra coisa.

A verdade é que todos os 15 milhões de palmeirenses querem voltar a sorrir lindamente como a Luisa. Mas, depois de certa idade, fica impossível achar graça do que não tem. E o que aconteceu no último domingo verteu muito mais lágrimas de tristeza do que manifestações de alegria genuína.

Afinal, se salvar dá alívio – mas não é nada além disso. É como o remédio que ameniza, mas não cura; é tormenta que passa, mas deixa estragos; é chuva que cessa, mas fez enchente. E faz mais de uma década que assistimos quase que anualmente a tempestade chegar sem ter o que fazer. Nos protegemos, blindamos e esperamos a pancada tentando fingir para tantas Luisas por aí que não é nada, que é bobagem, que há de passar. Nós, os adultos alviverdes, andamos sofrendo da síndrome do palhaço: sorrimos por fora, mas choramos por dentro.

E, definitivamente, não dá mais. Porque a gente aguenta sofrer, mas não quer se acostumar com isso. A gente criou casca – e das grossas, visto a presença maciça nas arquibancadas –, mas tá doendo mesmo assim. Tá doendo muito. A comemoração vista no Palestra Itália no último jogo desta temporada foi de puro desespero e vergonha, sem qualquer traço de alegria pueril (essa mesma que emoldura o rostinho angelical da Luisa).

A verdade é que o palmeirense quer voltar a sorrir. Chega de tantas administrações de mentira, tantas contratações que desfalcam, tantos Messias que viram Judas. Chega de falsas promessas, de apostar em roleta-russa, de fechar os olhos pra realidade. É preciso mudar de verdade pra surtir efeito. É preciso mudar (quase) tudo para voltar a ser campeão. É preciso recomeçar pra gente finalmente voltar a sorrir.

Assim como sorri tão lindo a minha sobrinha Luisa.

Olê, Porquinho!
Avanti, Palmeiras!
Siamo Palestra!

ROJAS.

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“Tá feliz?”

Se você é palestrino, certamente está ouvindo essa pergunta em looping desde a noite de ontem. Seja dos pais, amigos, da namorada ou do porteiro do prédio, é só isso que nos perguntam há 12 horas.

E a resposta, óbvio, é não.
Porque nós estamos aliviados. Só isso.

Como uma família que acaba de passar por um tornado, não estamos felizes somente pela desgraça ter acabado. Ainda estamos olhando em volta e analisando horrorizados todo o estrago causado pela tormenta. Estamos respirando fundo, pensando no tamanho do trabalho que teremos para tudo ser reerguido de maneira digna.

A única coisa que nos passa pela cabeça agora é “que bom que acabou”.
É por isso que a palavra, de fato, é alívio – e não existe outra melhor.

É claro que isso é melhor que nada (embora isso que estamos passando continue sendo nada). É claro que estamos mirando o futuro (embora saibamos que nada de muito radical vai acontecer). É claro que estamos pensando que 2015 será melhor (embora os últimos anos nos deixem naturalmente desesperançados). Mas, feliz, definitivamente não dá pra estar.

Por isso, da próxima vez que te fizerem a pergunta acima, nem se dê ao trabalho de responder. Aliás, nem precisa. Dias melhores virão.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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Doutor Paulo Sérgio de Castilho,

Ao contrário de boa parte da massa, eu já tinha ouvido falar do senhor algumas vezes.

Sabe como é torcedor de futebol fanático, né? A gente lê todas as notícias do jornal e da internet, ouve todos os programas de rádio, assiste todas as mesas redondas da TV, enfim. Acontece que nesta semana em especial, calhou de você estar bem no noticiário do Palmeiras – e aí eu quis mesmo conhecer mais do senhor.

Afinal,confesso sem vergonha nenhuma que, até o dia de ontem, eu não sabia muito bem o que faz um promotor de justiça. Mas fui atrás e descobri que promotores são aqueles que trabalham pelo bem do povo. E, quem diria, logo de cara já simpatizei com o senhor.

Daí fui um pouco mais a fundo e fiquei sabendo que você é ex-jogador de futebol. Fiquei sabendo que se especializou em direito esportivo. Fiquei sabendo que está envolvido com a manutenção do JECRIM, com o novo Código Brasileiro de Justiça e até com alterações no Estatuto do Torcedor. Aliás, está claro que o senhor se preocupa demais com o torcedor. Até horários e dias de jogos já foram mudados a seu pedido – que moral, hein?

Só me espanta um cara que se interessa tanto assim pelo bem do povo propor que o Palmeiras jogasse o jogo do próximo domingo fora de casa. Está bastante óbvio que os 15 milhões de palmeirenses espalhados pelo mundo e os 40 mil que vão acompanhar in loco a partida querem que a partida ocorra no Palestra Itália!

No entanto, segundo as notícias que nos chegaram via imprensa, o senhor se posicionou contra o jogo no Allianz Parque por “motivos de segurança”. Pois vamos lá…

É verdade que o estádio reinaugurado há duas semanas deixa o torcedor bem próximo ao gramado? Sim. É verdade também que o jogo do próximo domingo é deveras tenso? Sim, é. É também verdade que existem animais travestidos de torcerdores e que se não houver cuidado podemos ter episódios lamentáveis de violência? Sim, sem dúvidas. Só me explica, pelo amor de São Marcos: por que diabos jogar em outro local seria tão mais seguro do que jogar no Palestra?!

A solução para um jogo de risco como este – seja ele realizado no nosso estádio, na Rua Javari ou no Santiago Bernabéu – é a mesma: prevenção.

Se a Polícia Militar não vai dar conta do recado (e nem é justo desfalcar uma cidade toda por causa de um jogo), exija-se segurança privada. Que o Palmeiras e a WTorre apresentem quantos homens farão a vigilância do local, exigindo deles um plano de ação completo para o pré e pós-jogo, trabalhando junto com a PM. Simples assim.

Até entendo que se envolver em questões assim deixam o senhor em evidência e aí parece que você está prestando contas a quem o paga. Só que não é assim que se pensa, ainda mais quando se trata de futebol.

A torcida do Palmeiras – e qualquer torcida do mundo – quer sempre jogar no seu próprio estádio. Até porque jogar em casa faz bem a qualquer equipe. E já que ser promotor é pra promover o bem do povo, pra quê tirar um jogão desses da arena mais moderna do país?

Sem carinho,
ROJAS.

Siamo Palestra!

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