Feeds:
Posts
Comentários

Archive for 8 de dezembro de 2014

IMG-20141207-WA0015

O sorriso da Luisa é lindo – e contra fatos não há argumentos. No entanto, infelizmente esses dentinhos perfeitamente alinhados não estão sorrindo PELO Palmeiras. Estão sorrindo APESAR dele.

Não que ela saiba o que está acontecendo. Por sorte, seus menos de dois anos ainda não permitem que ela saiba o que anda passando dentro e fora dos jardins outrora suspensos da Água Branca. O que não deixa, em absoluto, o sorriso da Luisa menos lindo e ainda muito mais esperançoso para todos nós palmeirenses.

Acontece que quando o pai dela comemora, ela comemora junto. Faz festa, bota a camisa, grita “Tumelas”, entoa até um “Olê Porquinho” (ela ama porquinhos). O problema é que tanto o pai quanto o tio e o avô dela têm feito pouca festa ultimamente. Para nós, o sorriso lindo da Luisa é hoje muito mais um alento do que qualquer outra coisa.

A verdade é que todos os 15 milhões de palmeirenses querem voltar a sorrir lindamente como a Luisa. Mas, depois de certa idade, fica impossível achar graça do que não tem. E o que aconteceu no último domingo verteu muito mais lágrimas de tristeza do que manifestações de alegria genuína.

Afinal, se salvar dá alívio – mas não é nada além disso. É como o remédio que ameniza, mas não cura; é tormenta que passa, mas deixa estragos; é chuva que cessa, mas fez enchente. E faz mais de uma década que assistimos quase que anualmente a tempestade chegar sem ter o que fazer. Nos protegemos, blindamos e esperamos a pancada tentando fingir para tantas Luisas por aí que não é nada, que é bobagem, que há de passar. Nós, os adultos alviverdes, andamos sofrendo da síndrome do palhaço: sorrimos por fora, mas choramos por dentro.

E, definitivamente, não dá mais. Porque a gente aguenta sofrer, mas não quer se acostumar com isso. A gente criou casca – e das grossas, visto a presença maciça nas arquibancadas –, mas tá doendo mesmo assim. Tá doendo muito. A comemoração vista no Palestra Itália no último jogo desta temporada foi de puro desespero e vergonha, sem qualquer traço de alegria pueril (essa mesma que emoldura o rostinho angelical da Luisa).

A verdade é que o palmeirense quer voltar a sorrir. Chega de tantas administrações de mentira, tantas contratações que desfalcam, tantos Messias que viram Judas. Chega de falsas promessas, de apostar em roleta-russa, de fechar os olhos pra realidade. É preciso mudar de verdade pra surtir efeito. É preciso mudar (quase) tudo para voltar a ser campeão. É preciso recomeçar pra gente finalmente voltar a sorrir.

Assim como sorri tão lindo a minha sobrinha Luisa.

Olê, Porquinho!
Avanti, Palmeiras!
Siamo Palestra!

ROJAS.

Anúncios

Read Full Post »

“Tá feliz?”

Se você é palestrino, certamente está ouvindo essa pergunta em looping desde a noite de ontem. Seja dos pais, amigos, da namorada ou do porteiro do prédio, é só isso que nos perguntam há 12 horas.

E a resposta, óbvio, é não.
Porque nós estamos aliviados. Só isso.

Como uma família que acaba de passar por um tornado, não estamos felizes somente pela desgraça ter acabado. Ainda estamos olhando em volta e analisando horrorizados todo o estrago causado pela tormenta. Estamos respirando fundo, pensando no tamanho do trabalho que teremos para tudo ser reerguido de maneira digna.

A única coisa que nos passa pela cabeça agora é “que bom que acabou”.
É por isso que a palavra, de fato, é alívio – e não existe outra melhor.

É claro que isso é melhor que nada (embora isso que estamos passando continue sendo nada). É claro que estamos mirando o futuro (embora saibamos que nada de muito radical vai acontecer). É claro que estamos pensando que 2015 será melhor (embora os últimos anos nos deixem naturalmente desesperançados). Mas, feliz, definitivamente não dá pra estar.

Por isso, da próxima vez que te fizerem a pergunta acima, nem se dê ao trabalho de responder. Aliás, nem precisa. Dias melhores virão.

Siamo Palestra!

ROJAS.

Read Full Post »