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Archive for março \30\UTC 2015

Veio a derrota, Palestrinos. E veio na rodada seguinte de uma vitória com V maiúsculo diante de um dos nostros maiores rivais. O que ajuda a evidenciar que, na média, ainda temos muito a evoluir.

Logo após a partida de quarta, Fernando Prass havia sido enfático em seu discurso: o time não estava maduro como sugeria os 3 a 0, mas também não estava cru como sugeriam as partidas anteriores. A verdade é que, mais ou menos como acontece em alguns esportes olímpicos – onde se elimina a maior e a menor nota -, o Palmeiras segue em busca do seu melhor.

Ontem, nitidamente, faltou movimentação. Faltaram tabelas, faltou pegada, posse de bola. Faltou um pouco de tudo, inclusive encarar o jogo diante do Red Bull com a importância que Oswaldo de Oliveira e o regulamento manco do Paulistão sugeriram antes da bola rolar.

Se não somos a equipe modorrenta que perdeu para a Ponte e penou diante de Bragantino e XV de Piracicaba, também não somos ainda o time que venceu bem Audax e São Paulo. Entre as notas 9 dos grandes jogos e a 3 dos piores, somos um time que flerta com um medíocre 6. Tivesse uma placa em frente ao CT da Barra Funda, seria ela “Estamos em obras”.

Obras que precisam começar a entrar na reta final, diga-se de passagem. As finais do Campeonato Paulista e o início do Brasilerão se aproximam e é preciso mostrar um entrosamento maior. Alternativas mais criativas. Jogadores mais inspirados. Um jogo, enfim, muito melhor do que apresentamos na maior parte dos jogos.

Afinal, queremos passar de ano com louvor. E se isso acontecer, 2016 promete ser o ano para sermos os melhores da classe.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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Foi de lavar a alma, Palestrinos. Após dez clássicos seguidos sem vitória, vencer da forma que vencemos ontem em casa foi absolutamente delicioso.

Teve golaço de Robinho, um belo gol de Rafael Marques, olé, tabelas, raça e boas trocas de passe. Mas, acima de tudo, teve uma vitória do Palmeiras exclusivamente para o Palmeiras.

Porque não é exagero nenhum dizer que este jogo, em bem da verdade, mexe pouco com a realidade dos outros clubes. Deixa, sim, um rival pressionado e nos dá uma possível vantagem de jogar no Palestra nas semifinais. No entanto, a maior sacudida é interna e toda nossa.

Primeiro porque tira uma carga pesada das costas deste elenco: não bastasse a sequência negativa em clássicos, ainda não havíamos vencido um jogo grande dentro da nova casa. Segundo porque mostra que alguns dos principais atletas do elenco – Zé Roberto e Arouca, por exemplo – podem resolver o jogo quando exigidos. E terceiro, óbvio, porque empolga grupo e torcida para o andamento de 2015.

Foi uma vitória linda, limpa, leve. Daquelas que não víamos há muito. Que fez o estádio entrar em total simbiose com a equipe, que fez uma noite qualquer de quarta-feira se transformar em uma noite memorável.

É claro que é importante dizer que ainda falta muito para este time funcionar redondinho dentro de campo. Os pontas ainda trombam nos laterais, nostros atacantes continuam sendo pouco efetivos e as opções de banco têm entrado fora de ritmo.

Enfim: não era final, mas, para nós palmeirenses, é como se fosse.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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O barulho que tem sido feito em torno de Gabriel Jesus é totalmente compreensível, Palestrinos.

O garoto tem números impressionantes nas categorias de base (54 gols em 48 partidas), é a maior revelação que temos desde Vágner Love (chegou ao time de cima em 2003) e tem tudo para ser um daqueles raros ídolos nascidos e criados dentro do clube (o último foi Marcos). Não a toa teve seu contrato renovado com todo o cuidado, não a toa já assinou contrato com a Adidas e não a toa tem chamado a atenção de todos – Fred, inclusive, o citou em uma entrevista na SporTV.

Após a última rodada, no entanto, duas declarações chamaram a atenção. A primeira foi de Oswaldo de Oliveira, que atestou estar farto de torcedores clamando pelo atacante como groupies clamavam pelos Beatles; já a segunda veio de Rafael Marques, que revelou que o grupo tem tomado cuidado para blindar o garoto do assédio da imprensa – e até de chegadas dos adversários.

A minha humilde opinião é a de que precisamos ir com calma ao lançar o garoto, mas que é necessário dar cada vez mais chances a Gabriel.

Por um lado é preciso calma porque a base e o profissional são mundos totalmente diferentes. Raros são os atletas que passam reto por essa fase de adaptação. Messi, Tévez e Neymar são alguns exemplos de “anomalias da base”. É claro que nostro bambino d’oro pode ir pelo mesmo caminho, mas vendo tantos que já ficaram sem ter tido o menor sucesso, dá pra entender a paciência de Oswaldo em lançá-lo na equipe.

Por outro lado, é preciso testá-lo dentro de campo. Nostra classificação está sacramentada no Campeonato Paulista e as quatro últimas rodadas parecem ideais para dar chances reais ao camisa 33. Até mesmo porque, sejamos claros, nostro setor ofensivo está totalmente abaixo do ideal. Cristaldo merece ser titular, mas não tem sido unanimidade: é preciso ter alternativas a ele e tanto Leandro Pereira quanto Rafael Marques não têm feito por merecer.

Enfim, acredito que o caminho não seja nem tão ao céu nem tão ao mar. Gabriel merece mais minutos em campo, mas ainda não pode ser alçado ao posto de Menino Jesus.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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As cornetas já começaram a soar, Palestrinos. Nem bem fizemos 15 jogos na temporada e os arautos do apocalipse já pedem a cabeça de Oswaldo, jogam amendoins nas contratações e começam a questionar uma temporada menos de dois meses após ela ter se iniciado.

A todos estes que estão desesperados, deixo um pedido: tenham calma. Seja aqui ou na Europa, não se monta um time campeão do dia pra noite.

Do ano passado até aqui, fizemos mais de 50 movimentos de transferência entre chegada e saída de jogadores. Alguns nomes são melhores, outros são piores, mas é impossível exigir bom futebol de uma equipe que mudou 80% de seu elenco em três meses. É preciso ter uma base, trabalhar bem com ela durante meses e só então, após uma análise completa, ter um elenco afinado.

Entendo que a empolgação com a mudança de rumos do Palmeiras para este ano empolga. Mas não podemos ser cegos, há muito trabalho a ser feito. Se formos analisar os últimos bons times montados no Brasil, vê-se um ponto comum a todos eles: tempo. O Cruzeiro bicampeão brasileiro, por exemplo, começou a se moldar em 2011; foi colher os frutos em 2013 e 2014.

Mesmo na Europa, dinheiro nunca comprou tempo de trabalho. Vejam os claros exemplos de Chelsea e PSG que, mesmo com um aporte bilionário em contratações, ainda não são equipes maduras o suficiente. O clube inglês precisou de 9 anos do dinheiro de Abrahmovic para conquistar seu objetivo sonhado, a Champions League; já o time francês está no terceiro ano consecutivo dos petro-euros e nem mesmo o Campeonato Francês tem garantido com sobras.

É difícil admitir isso sendo apaixonado, mas a verdade é que é preciso paciência. Não podemos queimar um projeto promissor como este em um ano. Tenho certeza de que, mantida a base, será muito mais fácil pensar em reforços ao final desta temporada. Afinal de contas, em dezembro não precisaremos mais de vinte atletas; vamos precisar de quatro ou cinco pontuais.

Portanto, antes de sair por aí berrando por mudanças, é bom lembrar que a falta de noção tem um poder destrutivo alto. Lembrem-se do que a diretoria do Grêmio fez para a temporada 2013 (apostou altíssimos para a Libertadores e o clube acabou eliminado e endividado) e o que nostros vizinhos coloridos fizeram no ano passado (cacife alto, insucesso, pressão política). Não é comodismo, é a realidade.

Vamos apoiar um ano de montagem de elenco, vamos torcer por canecos plausíveis (Paulista/Copa do Brasil) e vamos pensar positivo. Se tudo for bem feito, o Palmeiras tem tudo para ser o time de 2016.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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Eu lembro bem do Campeonato Paulista de 2008, Palestrinos. Lembro das defesas de Marcos, da firmeza de Pierre, da garra de Kléber, dos gols de Alex Mineiro… mas, acima de tudo, lembro de Valdivia.

Um chileno cabeludo que eu nunca tinha ouvido falar na vida. Um meia misterioso que havia saído do Chile, passado pela Espanha e inesperadamente desembarcou no Palestra Itália em 2006. Lembro-me de que demorou um pouco para se entrosar com a equipe, mas, uma vez que se achou em campo, se tornou decisivo. Deu belos passes, inventou uma forma de driblar girando de um lado pro outro, marcou alguns gols e nos rendeu belas risadas.

Afinal, dentro de campo Valdivia era muito mais que um camisa 10: ele era um pouco de cada um de nós. Só naquele Paulistão, ele provocou contra o Corinthians, fez chororô na semifinal diante do São Paulo, fez chover na final em que acabamos com a Ponte Preta. E muito mais. Querendo mais.

Tanto que quando foi embora para os Emirados Árabes Unidos, toda a torcida se comoveu. Tanto que quando voltou, dois anos depois, toda torcida festejou. Ainda que o preço pago estivesse muito acima do que realmente deveria ter sido desembolsado (e a culpa disso não é dele), ficamos todos felizes.

O problema é que o Mago de 2008 não era mais o mesmo em 2010. Parecia mais frágil, mais irritado, menos interessado. Estava mais para “El Magro”. Para piorar, o chileno parece ter decidido arrumar uma companhia constante para suas lesões: as declarações polêmicas.

Primeiro pelos microfones, depois pelo Twitter, Valdivia virou o alvo predileto dos repórteres. Gesticulava negativamente dentro de campo, bradava contra técnicos na imprensa, postava sem freio nas redes sociais. Era alvo porque sempre tinha uma arma apontada para alguém. Foi aí que comecei a querer esquecer o jogador memorável de 2008.

Quando esteve dentro de campo, confesso, fez a diferença. Mas quando Valdivia esteve em campo nos últimos quatro anos? Segundo os números, ele jogou menos da metade das partidas oficiais que o Palmeiras fez. E isso é pouco, muito pouco, para o que se espera do melhor jogador do elenco.

Que fique claro que eu não acho que Jorgito falsifica lesões. Ele não é paraguaio nem na nacionalidade, nem no caráter (vide aquela admissão de cartão amarelo forçado que virou punição ridícula do STJD). O problema é que um cara como ele precisava se tratar com a importância que tem. Mais descanso, menos balada; mais Barra Funda, menos Disney; mais fisio, menos fono.

Os ares de herói que ganhou em 2014 tiveram muito mais a ver com desespero do que reconhecimento. Valdivia foi o Dom Quixote de uma jornada que contava com mais vinte Sanchos Pança. Se sobressaiu porque não tinha ninguém nem perto de sua altura e desenvoltura. Foi supervalorizado ainda que fosse superior. E isso foi o início do capítulo final.

Um fim que tem outra lesão. Que tem mais tuitadas raivosas. Que tem uma produtividade física e econômica considerada improdutiva. O melhor para todos nós, hoje, é que o chileno se vá. Que leve junto com ele o nostro carinho, as nostras boas lembranças e a idolatria das crianças; que deixe pelo caminho o ranço das lesões, das polêmicas e das palavras mal ditas e malditas. Que vá brilhar e encher o bolso ao lado de uma torcida sem ressentimentos.

Afinal, com a bola nos pés ele é um poeta.
Mas com a boca no trombone é um perna de pau.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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