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Posts Tagged ‘aposentadoria’

Lá se foi Alex, Palestrinos.

Justamente no dia em que sofremos até o último minuto por um time que não merecia um só segundo de atenção, nostro último grande camisa 10 pendurou as chuteiras.

Quis o destino e sua própria vontade que parasse no Coritiba, o clube de onde veio para defender nostras cores em 1997. Ainda me lembro de assistir no Globo Esporte à chegada daquele menino tímido e magro, ostentando um cabelo esquisito em uma cabeça invejável. Alex, em bem da verdade, parecia um mini craque. Seu futebol, pelo contrário, era maiúsculo.

Canhoto e habilidoso, não tardou em chamar a atenção das arquibancadas com seus passes precisos, lançamentos bem feitos e cobranças de falta que começaram a fazer o até então intocado Arce revezar com alguém. É bem verdade que demoramos um pouco para nos acostumar com seu ritmo. Acompanhar um atleta que faz a bola correr por si é tão raro que não foram poucas as vezes em que os chamamos de “Alexotan” (e pagamos por isso até hoje, aguentando craques do naipe de Bruno César e Felipe Menezes).

A primeira cena que me recordo de Alex com a camisa do Palestra foi chutando uma bola na trave durante a decisão do Brasileirão de 1997, diante do Vasco. Depois disso vêm incontáveis jogos inesquecíveis do Cabeção. Suas atuações perfeitas na Libertadores de 1999 (especialmente o jogo de São Januário pelas oitavas e o de volta contra o River na semi); a batida de falta que culminou no épico cabeceio de Galeano, em 2000; e, claro, a fábrica de chapéus inaugurada no Morumbi pelo Torneio Rio-SP de 2002.

Pensando bem, Alex marcou um novo período vitorioso na nostra história. Depois do elenco fantástico das temporadas 93/94 e da seleção do Paulistão de 1996, foi justamente em 98 que nasceu outro ciclo de títulos no Palestra Itália. Vieram Copa do Brasil, Mercosul, Libertadores, Copa dos Campeões… vieram títulos e grandes duelos que duraram quatro bons anos e morreram justamente quando o meia foi embora para a Itália.

Desde então, aliás, não houve palmeirense que não torcesse por Alex. No Parma foi difícil porque o time era fraco. Mas nas passagens por Cruzeiro (que não nos enfrentou em 2003), Fenerbahçe, Seleção (aliás, que vacilo do Felipão!) e novamente pelo Coxa, ele sabia que estávamos com ele. Ainda que fosse contra a gente.

Portanto, passada a tormenta dos últimos dias, só nos resta agradecer a Alexsandro de Souza por tudo o que fez pela Sociedade Esportiva Palmeiras. Valeu, garoto! Só não vou escrever que você aposentou o boné porque não existe um aparato deste que caiba nesta cabeça genial.

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Siamo Palestra!

ROJAS.

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O dia era 23 de abril de 2003 e o Palestra Itália estava esquisito. Poucos meses após a nostra primeira queda, o Palmeiras recebia o Vitória em casa e, em um estádio meio cheio meio vazio, meio esperançoso meio tenso, estava tomando um verdadeiro baile.

Não chegávamos nem a metade do segundo tempo e o placar marcava sonoros 6 a 2. Aos 32 minutos veio então o lance derradeiro: em uma bola esticada pelo ataque baiano, Marcos saiu da área e, quando se preparou para dar um bico na bola, furou. Em bem da verdade, àquela altura pouco importava que era o sétimo gol sofrido pelo time; importava que São Marcos havia falhado.

O estádio desabou. Que aquele time era uma desgraça nós sabíamos, mas, cazzo, até tu, Marcão?! Desse jeito? Lembro que foram alguns segundos de profunda desilusão até que um coro lentamente ganhasse força total pelo estádio: “PUTA QUE PARIU, É O MELHOR GOLEIRO DO BRASIL: MARCOS!!!”.

Sim, ele era. Ele é. Vai ser sempre.

Marcos é o melhor porque é único. Porque é goleiro, capitão, exemplo, ídolo eterno. Marcos é São Marcos. E se diz que de santo não tem nada é porque carrega a humildade dos que sabem estar acima de derrotas, quedas e falhas, como foi aquela do dia 23 de abril de 2003. Falhou, admitiu, passou.

Nada nunca vai nos tirar aquele sentimento de segurança e invencibilidade que tínhamso com Marcos embaixo das metas. Se não fosse o medo de perder, eu pediria ao santo que devolvesse a bola ao atacante só para vê-lo praticar mais milagres atrás de milagres.

Daí, Marcão, quando você pega o microfone depois de quase 20 anos de convívio e pede que a gente não esqueça de você porque você não vai nos esquecer de nós… Porra, Marcão… Aí você me derruba. Nos derruba. Derruba 15 milhões de apaixonados. E essa, sim, é uma queda da que temos orgulho.

Por isso, peço um minuto de silêncio: a grande área está vazia.

Obrigado por tudo, São Marcos de Palestra Itália!!!

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Siamo Palestra!

ROJAS.

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Ele parou, Palestrinos, São Marcos parou.

E por mais que soubéssemos que o dia chegaria, que ele estava mais e mais próximo, não dá para estar preparado para um momento deste. Ontem se aposentou não só o maior goleiro ou palmeirense que já vi em campo; ontem se aposentou um dos caras mais incríveis da história do futebol.

Para muitos, é fácil resumir Marcos como um “grande goleiro”. Como “campeão do mundo”. Como “um grande pegador de pênaltis”. Mas quem é palmeirense de verdade sabe que não é tão fácil assim. Porque apesar de ser tudo isso, Marcão é e foi mais, muito mais.

Marcos Roberto Silveira Reis é o caipira que brilhou na cidade grande. É o garoto de Oriente que ficou experiente antes da hora graças às suas defesas e à sua careca, ambas precoces. Marcos é o cara que jamais destratou nenhum adversário, que conversava com todos da imprensa, que contava piadas, que bebia cerveja, que agia feito torcedor com, vejam só!, a camisa 12.

Marcos é São Marcos porque é humano. Porque apesar de seus milagres feitos com a bola rolando e com seus mais de 30 pênaltis defendidos, nunca se eximiu de culpa. Foi ele quem assumiu a falha diante do Manchester, foi ele quem furou o chutão para frente diante do Vitória, foi ele quem chamou a bronca quando o time foi goleado.

E mais: ele nunca foi o super herói. Foi ele quem operou braços, ombro, punho, dedos e uma infinidade de outros ossos que só os goleiros e os cortopedistas bem formados sabem que existem. De ferro ele nunca teve nada, visto o coração mole de quem reagia tão veementemente à vitórias e derrotas.

Marcos é perfeito por nunca ter tentado ser.

Taxá-lo como melhor ou pior é de cada um. Ídolo cada um tem o seu. Mas não dá para deixar passar em branco a despedida dos gramados de um cara desses. Um cara que me ensinou que, ganhando ou perdendo, o dia seguinte ainda é dia de dizer: “Sou palmeirense mesmo e daí?”.

Muito obrigado, Marcão. De coração e em oração. Te amo.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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É muito desrespeito, Palestrinos…

Hoje, ao ouvir as declarações de Tirone sobre a possível parada de Marcos, me bateu uma tristeza no peito. Após o nostro Santo dar entrevistas na semana passada dizendo que ninguém o procurou para tratar do assunto, nostro presidente – atrasado, como sempre está – abre a boca para dizer: “O contrato está acabando, né?”. Assim, desse jeito, como se falasse do final de contrato do Rivaldo ou do Leandro Amaro.

E o pior é que, após proferir palavras com tamanho significado, ele ainda se dignou a dizer que vai falar com São Marcos, que acha que está na hora dele parar e que quer homenageá-lo no amistoso diante do Ajax (em 14 de janeiro, no Pacaembu), mesmo Marcão tendo dito, em alto e bom som, que quer se despedir em um jogo oficial.

É triste, mas a realidade é essa: o Palmeiras não sabe tratar os seus ídolos. Oberdan Cattani assistia aos jogos nas cadeiras cobertas do Palestra Itália porque é palmeirense, não por convite da diretoria. Ademir da Guia, o nostro eterno Divino, só é “homenageado” ao vestir o manto alviverde em alguns poucos e malfadados jogos festivos. Isso sem falar em tantos outros craques – Dudu, César Maluco, Servílio, Evair, etc. – que empunham a nostra bandeira até hoje por puro amor.

Enquanto isso, lá na Espanha, um dos maiores zagueiros da história da Sociedade Esportiva Palmeiras, Luís Pereira, é coordenador das categorias de base do Atlético de Madrid…

Infelizmente, amicos, é assim que caminha o Palmeiras. Desrespeitando, como diz o samba, quem soube chegar onde a gente chegou.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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