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Posts Tagged ‘Divino’

A história é real, Palestrinos. Ainda noutro dia, sentado atrás de mim na arquibancada, um garoto de uns 6 anos perguntou ao pai onde estava Valdivia.

Fosse um pouquinho mais velho, é provável que o menino houvesse escutado um esculacho de quem estava a sua volta volta. Sua idade, no entanto, o protegeu e, paciente, ele ouviu o pai explicar que o chileno havia saído e que não jogaria mais pelo Palmeiras. Mesmo com o time ganhando e em boa fase, o pequeno não gostou e deixou claro soltando um demorado “ah”.

Para quem já estava de saco cheio de Valdivia, feito eu, pode parecer uma situação bizarra. Mas a verdade é que não é. Até porque, antes de mais nada, aquele é palmeirense que nunca teve ídolos de verdade.

Começando a entender de futebol e do seu time agora, ele não chegou a ver nem mesmo Marcos. Provavelmente já ouviu por diversas vezes seu pai falar do Santo, bem como de Evair, Rivaldo e Edmundo (da mesma forma que eu sempre peço que meu pai fale de Ademir, Dudu, Luís Pereira e Leivinha, dentre muitos outros). Mas o fato é que ninguém nunca conquistou aquele coraçãozinho verde – por isso Valdivia parecia adequado a ele.

As últimas décadas foram pródigas em nos apresentar candidatos a ídolos que deram em água. Valdivia (o “Mago”), Kléber (o “Gladiador”) e Barcos (o “Pirata”) foram alguns deles. Jogadores comuns que, embora tenham tido algum brilhareco vestindo nostra camisa, fatalmente quebraram a expectativa de muitos por aí. E se teve até marmanjo chorando com a partida de um trio destes, por quê aquele garoto não poderia fazer o mesmo?

São os ossos porcos do ofício. De um futebol que hoje é regido por dirigentes incompetentes, empresários sanguessugas e jovens jogadores que nem mesmo atuaram no time de cima e já falam que o Campeonato Inglês os espera. Mesmo agora, com um elenco muito mais recheado, vejo poucas caras capazes de brilhar em nostra sala de troféus – que dirá em um pôster na parede de um quarto alviverde. É duro, mas é real.

A situação não se aplica apenas ao nostro Palmeiras, mas, sinceramente, tem pesado mais para nós. Torço para que Fernando Prass siga em grande nível, para que Zé Roberto se firme como um capitão, Dudu coloque a cabeça (e a bola) no lugar e até para que o recém-chegado Barrios balance as redes dos adversários por muitos anos ainda. E mais ainda do que tudo isso, torço para que aquele garotinho não demore para ter um ídolo. Pelo bem dele e de todos nós.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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