Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘euller’

gol_piscina

Pra mim, o gol da piscina é sagrado.

Afinal, foi ali que o Euller fez os dois gols feios mais lindos da história, virando um jogo irreversível diante do Flamengo em 99.

Também foi ali que o Roberto Carlos acertou uma falta literalmente do meio de campo. Ali o Amaral fez o primeiro dele com nostro manto e nem pode comemorar naquele histórico 5×1 contra o Grêmio, pela Libertadores de 1995. Foi exatamente ali que São Marcos pegou o seu primeiro pênalti e, anos depois, quase foi atingido por um raio em um chuvoso Palmeiras x Fluminense, válido pelo Torneio Rio-São Paulo.

E por pura coincidência (ou não), algumas das maiores tragédias recentes de que me lembro aconteceram do outro lado. Aquela virada bizarra na Mercosul de 2000; o recuo de cabeça estapafúrdio de Alexandre no peito de Liédson encaminhando a queda de 2002; a furada em cheio do nostro Santo em 2003; aquele petardo maldito do Cicinho na Libertadores de 2005; e por aí vai.

Tanta coisa boa aconteceu naquele espaço que não tem como não desejar a instantânea canonização daqueles poucos e porcos metros quadrados de grama ainda hoje.

Acontece que semana passada, depois de 81 anos de Estádio Palestra Itália, eu vi um jogo no gol da piscina. Não porque nunca antes quisera estar lá – muito pelo contrário, aliás –, mas porque não havia ali uma arquibancada.

O gol da piscina sempre foi a abertura da belíssima ferradura de concreto verde e branco onde tanto jogou e ganhou a Sociedade Esportiva Palmeiras. Aquele era um lugar mágico onde só os goleiros e os gandulas poderiam estar. Aquele pedacinho de grama que nos fez repetir por anos a fio “essa foi lá pra piscina” quando finalizavam mal uma jogada de ataque. Um espaço tão especial que mesmo nos piores momentos nunca nos puniu (os gols do Sport, aliás, também saíram do outro lado).

É por isso que, mal nasceu o Allianz Parque, eu já tenho meu lugar predileto. É ali no Gol Sul. Entrada pela Turiassu. Setor Inferior. Bem atrás do gol. O abençoado gol da piscina.

Siamo Palestra!

ROJAS.

Read Full Post »

 

O que passa pela cabeça de um torcedor que, aos 40′ do segundo tempo, jogando em casa, percebe que seu time precisa marcar mais dois gols para se classificar? Nao sei na cabeça dos outros, mas, na minha, passava desânimo.

Afinal, já eram trinta e oito do tempo final no Palestra Itália, o Palmeiras empatava em 2 a 2 com o Flamengo e a vaga nas semi-finais da Copa do Brasil estava indo pro espaço. Sem forças, sucumbi e sentei na arquibancada.

Meu pai e meu irmão não me repreenderam; apenas silenciaram. Ao sentar, no entanto, um homem que eu nunca havia visto bateu em meu ombro e disse (com um inigualável sotaque baiano):

– Mininu, desanime não. O Vérdão vai é virar essa budega!

Eu, mais por corporativismo do que por ânimo, levantei. E mal fiquei em pé, Euller meteu a cabeça na bola e fez o 3º. Loucura total na arquibancada. Joguei minha blusa longe. Meu pai jogou seu boné longe. Meu irmão se jogou longe. Os degrais vibravam no ritmo do time.

Mas aos 46′ a coisa atingiu o ápice: em mais um bate-rebate daqueles na área, o mesmo Euller dividiu de costas e mandou a bola pras redes rubro-negras. Viramos, cazzo! 4×2… em cinco reles minutos!

Foi quando me lembrei do amigo baiano.

E juro que o procurei por cada canto do nosso templo sagrado daquele instante até a saída do estádio. Mal vi o Pimentel (lembra dele?) meter uma na trave e quase melar nossa festa. Não o achei mesmo. O cara sumiu.

Mal sabia eu, no auge dos meus então 14 anos, que aquele não era só um “baiano”. Era um anjo. Um anjo baiano.

ROJAS.

Read Full Post »