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Posts Tagged ‘Jorge Valdivia’

Eu lembro bem do Campeonato Paulista de 2008, Palestrinos. Lembro das defesas de Marcos, da firmeza de Pierre, da garra de Kléber, dos gols de Alex Mineiro… mas, acima de tudo, lembro de Valdivia.

Um chileno cabeludo que eu nunca tinha ouvido falar na vida. Um meia misterioso que havia saído do Chile, passado pela Espanha e inesperadamente desembarcou no Palestra Itália em 2006. Lembro-me de que demorou um pouco para se entrosar com a equipe, mas, uma vez que se achou em campo, se tornou decisivo. Deu belos passes, inventou uma forma de driblar girando de um lado pro outro, marcou alguns gols e nos rendeu belas risadas.

Afinal, dentro de campo Valdivia era muito mais que um camisa 10: ele era um pouco de cada um de nós. Só naquele Paulistão, ele provocou contra o Corinthians, fez chororô na semifinal diante do São Paulo, fez chover na final em que acabamos com a Ponte Preta. E muito mais. Querendo mais.

Tanto que quando foi embora para os Emirados Árabes Unidos, toda a torcida se comoveu. Tanto que quando voltou, dois anos depois, toda torcida festejou. Ainda que o preço pago estivesse muito acima do que realmente deveria ter sido desembolsado (e a culpa disso não é dele), ficamos todos felizes.

O problema é que o Mago de 2008 não era mais o mesmo em 2010. Parecia mais frágil, mais irritado, menos interessado. Estava mais para “El Magro”. Para piorar, o chileno parece ter decidido arrumar uma companhia constante para suas lesões: as declarações polêmicas.

Primeiro pelos microfones, depois pelo Twitter, Valdivia virou o alvo predileto dos repórteres. Gesticulava negativamente dentro de campo, bradava contra técnicos na imprensa, postava sem freio nas redes sociais. Era alvo porque sempre tinha uma arma apontada para alguém. Foi aí que comecei a querer esquecer o jogador memorável de 2008.

Quando esteve dentro de campo, confesso, fez a diferença. Mas quando Valdivia esteve em campo nos últimos quatro anos? Segundo os números, ele jogou menos da metade das partidas oficiais que o Palmeiras fez. E isso é pouco, muito pouco, para o que se espera do melhor jogador do elenco.

Que fique claro que eu não acho que Jorgito falsifica lesões. Ele não é paraguaio nem na nacionalidade, nem no caráter (vide aquela admissão de cartão amarelo forçado que virou punição ridícula do STJD). O problema é que um cara como ele precisava se tratar com a importância que tem. Mais descanso, menos balada; mais Barra Funda, menos Disney; mais fisio, menos fono.

Os ares de herói que ganhou em 2014 tiveram muito mais a ver com desespero do que reconhecimento. Valdivia foi o Dom Quixote de uma jornada que contava com mais vinte Sanchos Pança. Se sobressaiu porque não tinha ninguém nem perto de sua altura e desenvoltura. Foi supervalorizado ainda que fosse superior. E isso foi o início do capítulo final.

Um fim que tem outra lesão. Que tem mais tuitadas raivosas. Que tem uma produtividade física e econômica considerada improdutiva. O melhor para todos nós, hoje, é que o chileno se vá. Que leve junto com ele o nostro carinho, as nostras boas lembranças e a idolatria das crianças; que deixe pelo caminho o ranço das lesões, das polêmicas e das palavras mal ditas e malditas. Que vá brilhar e encher o bolso ao lado de uma torcida sem ressentimentos.

Afinal, com a bola nos pés ele é um poeta.
Mas com a boca no trombone é um perna de pau.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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Eram 14 minutos do primeiro tempo, Palestrinos.

E embora o jogo estivesse amarrado, o Palmeiras havia tomado a iniciativa. Marcava em bloco atrás do meio-campo e saía no contra ataque com Mouche (menos) e Allione (mais) abertos pelos lados do campo. Quem distribuía o jogo, naturalmente, era Valdivia – que retomou os treinos e a posição depois de 3 meses. Foi então que ele desabou no gramado com a mão no rosto.

A primeira impressão, claro, foi de uma agressão. Um braço involuntário, no mínimo, que tivesse acertado em cheio o chileno. Veio o intervalo e a informação oficial era a de que ele havia mesmo tomado uma braçada e deixado o campo por conta de uma tontura. Só que a TV flagrou uma mãozinha na coxa que, de tão tradicional, virou sua marca registrada nos últimos anos.

Valdivia, no entanto, negou. Disse ao médico que o motivo fora uma pancada no rosto. O próprio médico do Palmeiras, após a partida, disse ter achado estranho. Até que hoje, vejam só, vem a notícia de que o camisa dez de fato teve um trauma na coxa esquerda.

Quem é palmeirense está cansado do comportamento do meia. Absolutamente nenhuma história dele vem a tona com total sinceridade. NUNCA. Foi assim com sua recente transferência (e a posterior viagem a Disney), foi assim com seu “sequestro”, foi assim quando traiu sua esposa (que disse que ia separar, mas não separou)… Enfim, se tem Valdivia tem confusão.

Está claro que ele escondeu a contusão por saber que a torcida e a imprensa iriam pegar em seu pé novamente. Afinal, deve ser a sua lesão muscular de número 100 só pelo Palmeiras – vejam só, se tornou centenário antes do clube! E é óbvio que se lesionou porque está atrasado. Tivesse voltado das férias pós-Copa dentro do prazo, estaria treinando e jogando normalmente (bem como os campeões mundiais da Alemanha já estão em campo por seus clubes).

Mas querem saber? O problema de Valdivia realmente é o nariz: nariz mentiroso.

Pior é ter um elenco onde sua presença se faz tão necessária. Dependemos de um atleta que não se comporta como tal. E aí, o jogador que poderia ser craque não só se sabota, mas também sabota a todos nós. Vira um camisa 10 nota 6. Se conforma com o que é sem nunca vislumbrar quem poderia ser.

Pois bem, senhores, já que Geppetto é italiano, este é Jorge Valdivia.
O Pinnochio do Palestra Itália.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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Valdívia voltou, Palestrinos.

Ninguém sabe ao certo o que aconteceu entre a Copa do Mundo, os Emirados Árabes e  a Disney World, mas o fato é que algo deu errado. O chileno se reapresentou hoje na Academia e parece que será reintegrado a equipe.

Desta feita, tenho certeza que a primeira impressão de grande parte da torcida, dada a atual condição do time, é a de levantar as mãos para o céu e agradecer a San Gennaro pelo presente. Afinal de contas, ninguém discorda do fato de que o meia é de longe o jogador com mais recursos técnicos do elenco.

No entanto, também tenho certeza que outra parte da torcida não ficou tão feliz assim com este retorno. Afinal, já faz tempo que Valdívia não é tão Valdívia assim. O camisa 10 da segunda passagem não foi o da primeira e teme-se que, nessa “terceira”, seja ainda menos.

Hoje pela manhã, ao ler os jornais, eu sinceramente me identifiquei com o primeiro grupo. No entanto, bastou pensar um pouquinho mais para cair na real e ver que eu concordo mesmo é com o time dos insatisfeitos.

Explico: por melhor nível técnico que tenha, Valdívia não faz mais aqueeeeela diferença. Tem alto salário, não aguenta jogar jogos seguidos e estava na cara que o bom futebol demonstrado em alguns jogos do primeiro semestre deste ano tinha como foco a convocação para a Copa. Some-se a isso uma proposta de 5.5 milhões, por um atleta que vai completar 31 anos em outubro, e fica complicado não pesar o lado racional.

O ideal seria mesmo pegar o dinheiro, zerar a dívida com Osório Furlan e utilizar o restante da grana para fazer reparos no atual elenco. Mas agora, com sua iminente volta, sabe-se lá o que será do futuro.

De toda forma, resta torcer para ele entrar em forma rapidamente após suas longas férias e entrar em campo para nos ajudar sem lesões no restante de 2014. Já que o negócio melou, melhor um Valdívia meia boca do que um Felipe Menezes no auge da forma.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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Valdivia está longe de ser um exemplo, Palestrinos.

Usando uma expressão leve e recorrente, o camisa 10 é, no mínimo, polêmico. Nós mesmos já o crucificamos algumas muitas vezes durante os anos que ele joga pelo nostro Palmeiras. Seja pelas recorrentes lesões, pelos problemas extra-campo, por declarações ou pelo excesso de cartões bobos, ele já foi carrasco de si mesmo em diversas situações.

Naquele 10 de agosto de 2013, no entanto, Valdivia só foi honesto. Prestes a viajar com a seleção chilena, nos desfalcando por um jogo, ele aproveitou que estava pendurado com dois cartões amarelos e cavou o terceiro. Não com um pontapé, não com uma reclamação, ou uma mão boba na bola; levou o amarelo por atrasar sua saída de campo. Algo corriqueiro no mundo todo, quiçá aqui na América Latina. O seu pecado, no entanto, foi ter admitido o ato nos microfones.

“Burro”, dirão alguns mais exaltados. E de fato ele não precisava ter espalhado aos sete ventos o que premeditou dentro das quatro linhas. Mas, ali, frente à imprensa, ele apenas foi sincero.

“Não deixa de ser burro”, dirão os mesmos. E, sim, eles podem ter razão novamente. Afinal, pode-se muito bem usar o regulamento do futebol nacional e se apontar com o dedo em riste, o artigo que prevê punição a quem tenta ludibriar o árbitro com má fé. Seja fingindo um pênalti, fazendo cera, metendo um gol de mão ou… cavando um cartão.

O maior problema, para mim, é que este é um cartão tão estúpido quanto àquele erguido contra quem tira a camisa na comemoração do gol. Esse cartão pertence a mais uma daquelas regras que pune o futebol. Que cala a emoção, proíbe o riso, automatiza seres humanos. É como se punissem alguém por não ter omitido algo que todos sabemos o que foi. É estrangular um pouquinho mais o esporte que tanto amamos.

No entanto, gritarão os defensores da moral e ética que o que está combinado não sai caro. E, de fato, não sai. Mas que sai chato pra cacete, isso sai.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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E aí, Jorge, tudo bem?

Antes de mais nada, peço licença para te chamar pelo primeiro nome. Sim, bem eu que te chamei de Mago por tanto tempo. E estou pedindo isso porque, sinceramente, logo depois da fase “Mago”, veio a fase “Valdivia”, seguida por “Porra, Valdivia!”, “De novo, Valdivia?!” e, por fim, a “Vaza, chileno!”. Mas vamos voltar ao cerne do assunto.

Outro dia li que você agradecia à massa palestrina pela nossa paciência com você. E queria lhe dizer que você não precisa agradecer nada; afinal, da mesma maneira que te louvamos, também podemos lhe odiar. Na verdade, o seu nome foi cantado após a goleada sobre o Oeste justamente por isso: por ter sido uma goleada. E, claro, por você ter participado de 3 gols. E saiba que vamos continuar a cantá-lo se você continuar a brilhar.

Sabe, no futebol não tem muito isso de paciência. Mas tem muito de merecimento. Quem merece, tem. Ou você acha que algum outro goleiro iria passar ileso por aquele chute no vácuo que nosso São Marcos deu contra o Vitória em 2003? E você, meu amigo, ainda tem que fazer por merecer com a camisa do Palmeiras.

O fato é que nestes últimos anos, nós temos lido muito sobre você. Ora sobre excesso de baladas, ora sobre as repetidas lesões, raramente algo sobre bom futebol, mas quase sempre sobre a sua palavra de que tudo vai ser diferente. E ler, neste caso, é estar distante.

Hoje mesmo li que o Vinicius disse que te viu chorar depois da última lesão que você teve. E, de verdade, me sensibilizou. Ainda que eu já tenha te xingado tanto nos últimos meses, te senti mais próximo de mim, mais humano. E, se me permite um conselho, é este aqui: seja mais humano.

O Valdivia da primeira passagem, aquele do Paulista-2008, ele era o Mago. Um cara que estava em grande fase técnica, mas que, mais do que isso, era folclórico. Cabeludo, esquisito, falando engraçada, provocando os rivais, dando dribles e entrevistas desconcertantes… Entenda, Jorge, é disso que a gente gosta.

Ninguém sai de casa, paga ingresso, flanelinha, ônibus, trem, metrô, cerveja e sauduíche de pernil pra ver zero a zero. A gente sabe que nem sempre vai ganhar, mas vai lá pra incentivar e se divertir. Eu lembro de você meter o gol “chororô” no Curintia, lembro de você mandar o sinal de acabou em uma semifinal de Paulista contra o SPFW, lembro de cada vez que você deu o “chute no vácuo” – inclusive quando ele deu errado. É esse Valdivia que a gente quer de volta.

Ainda que você não possa jogar todos os jogos. Ainda que você não aguente 90 minutos. Ainda que você tenha passado de mago milagroso para mágico truqueiro. Lembre-se: quanto mais humano você for, mais fácil fica gritar seu nome.

Sem a necessidade de ler nada.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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A dúvida nunca foi tão grande, Palestrinos.

Se no ano passado a coisa já estava complicada, este ano acabou de piorar. Afinal, não foram poucos os que disseram que ele estava mudado, que está comprometido, que quer chamar o jogo. E então, mal engata duas partidas seguidas, o chileno-chinelo volta a se lesionar e desfalcar o Palmeiras por semanas. Mais uma lesão, a enésima desde que retornou.

Que fique claro que reconheço o potencial do meia. Ele inegavelmente tem bom controle de bola e passes inteligentes. Mostrou isso em 2008 e mais recentemente na Copa do Brasil que vencemos no ano passado. Mas o fato, queira você ou não, é que passou da hora de nos livrarmos dele.

Ou você acha que é justo pagar o maior salário do elenco para um dos jogadores que menos atuam? Acha que vale a pena depositar nostra confiança em alguém que toma cartões amarelos por reclamação como quem toma um copo de água? Que é possível acreditar em um cara que brada no alto de carro de bombeiros que só sai se o Palmeiras quiser e depois diz que está pensando em sair? Acha mesmo que deve-se esperar por um atleta tão inesperado?

Eu, sinceramente, penso que já deu. E que o Palmeiras deve se mexer para definir a saída dele o quanto antes. Mesmo que represente uma óbvia perda de dinheiro (ninguém vai pagar o quanto pagamos), a saída dele poderia gerar um pequeno lucro na venda e principalmente um belo alívio na folha salarial – abrindo espaço para pagarmos novos atletas.

Ou isso ou o Palmeiras envia ele pra Nasa e tenta descobrir que diabos acontece com suas fibras musculares. É muito mais custoso e ineficiente, mas…

Siamo Palestra!

ROJAS.

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