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Posts Tagged ‘morte’

Meter gol no Corinthians é e sempre será motivo de êxtase, Palestrinos.
No último sábado, no entanto, essa alegria durou bem menos que o usual.

O motivo não foi a anulação do gol, nem tampouco um hipotético empate de imediato. O que tirou o sorriso do rosto de todos aqueles que estavam na curva da arquibancada verde do Pacaembu foi algo muito maior: o mal súbito de um senhor.

Aconteceu tudo muito rápido e nem eu, que estava dois degraus para baixo, sei explicar o que houve. Notei um tumulto, pessoas gritando, um rapaz correndo para chamar os bombeiros e tudo o que se seguiu a isso foi horrível. No dia seguinte, lendo o jornal, descobri que ele havia falecido.

João era seu nome, estava acompanhado pelo genro e acabou sofrendo um ataque cardíaco minutos depois do gol de Henrique – que havia sido feito bem ali, na mostra frente. Os sentimentos foram tão fortes e contraditórios que ninguém sabia ao certo como reagir. O matador, quem diria, havia cumprido a sua sina sem nem saber.

E o motivo deste post é homenagear o “Seu João”. Afinal, de uma maneira ou de outra, ele representa cada um de nós que vai para a arquibancada gritar, cantar, sofrer e sorrir a cada jogo. O mesmo coração que bateu acelerado lá é o mesmo que bate acelerado aqui.

Por isso mesmo, vá em paz, meu amigo.

E vá com a certeza de que vencemos por 1 a 0.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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Os temas deste post são tão absurdos que nem deveriam estar neste blog, Palestrinos. Mas quando muitos deles infelizmente dizem respeito ao Palmeiras, me sinto na obrigação de escrever sobre.

Para começar a conversa, vou fugir do clichê repitido por tantos sociologistas e – pasmen – repórteres esportivos que dizem que é “apenas futebol”. Porque de forma alguma é “apenas” futebol. Nada que mexa tanto com bilhões de pessoas ao redor do mundo pode ser considerado algo pequeno. Sei que o quanto futebol é vital para mim e para tantos outros que talham seu modo de vida para experimentar ao máximo este esporte tão peculiar.

O fato é que, nos últimos dias, o noticiário esportivo foi tomado por uma enxurrada de matérias sobre racismo, violência e até drogas. Sim, também é fato que nada disso é novidade no esporte – ou na sociedade – mas foi assustador como tudo isso se sobrepôs em tão pouco tempo.

Começou com Tinga, que foi literalmente aclamado de “macaco” no Peru, e continuou com Arouca e o árbitro gaúcho Márcio Chagas da Silva, alvos em Mogi Mirim e no interior do Rio Grande do Sul. Algo que chega a ser ridículo em um esporte com tantos negros envolvidos (e, só por curiosidade, aqui vai um documentário sobre o porquê de termos mais negros dentro do que fora dos campos).

As notícias seguintes falam de violência. Primeiro, a morte de um torcedor santista por vândalos são paulinos; agora, mais recentemente, a agressão a mãe e a filha do nostro atacante Diogo em plena torcida da Portuguesa (clube onde se formou, jogou por tantos anos e tem livre acesso). Veja bem: estou falando de (mais) uma morte e de agressão a duas mulheres – sendo a segunda menor de idade.

Por fim, pouco antes do Carnaval soubemos que foram encontrados 300kg de cocaína e crack em um galpão da TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras, ou seja, uma torcida uniformizada). De novo: 300 QUILOS! Punto e basta.

Toda essa escória de notas está intimamente ligada ao futebol e ao Palmeiras. E, por infeliz obviedade, repito que nenhuma delas é inédita. Nem o racismo (lembrando que antigamente jogadores negros se pintavam de branco para jogar escondidos), nem a violência (são tantas as mortes e confrontos que seria impossível citá-las em um post), muito menos as drogas (que fume a primeira pedra quem nunca sentiu cheiro de maconha nas arquibancadas de um estádio, para pegar leve na lembrança).

O problema é que as coincidências não param por aí. Afinal, a raíz de todas elas é a mesma, a impunidade. É aí que voltamos ao ponto inicial deste post: é impressionante como algo que é levado a sério por tantos  dentro de campo é tratado como lazer fora dele. As leis que valem para uma morte em um supermercado, por exemplo, não têm o mesmo poder quando relacionadas ao futebol. Parece simplesmente que não merecem atenção.

Nem dirigentes, nem justiça, nem políticos levam isso a sério. Mesmo os jogadores tocam de lado quando o assunto diz respeito a eles. E nós, os torcedores apaixonados, ficamos vendidos. Alguns já desistiram de frequentar estádios por medo; outros só vão a jogos pequenos; alguns outros afirmam que já perderam a paixão; e, o pior, temos crianças brasileiras que realmente torcem por Barcelona ou Manchester United como primeiros times.

Se nada disso te incomoda por ser sobre futebol, seja egoísta e pense apenas no Palmeiras. Daqui a pouco, os sites e jornais trarão duas notícias sobre o campeonato e umas dez sobre todos estes outros assuntos. É isso que você quer? Eu não, nem pro nostro Palestra nem pro futebol como um todo.

Que tal fazermos o Bom Senso do torcedor?

Siamo Palestra!

ROJAS.

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Esqueçamos por um minuto nostro coração verde, Palestrinos.

O assunto agora é o futebol. Todo ele. Mais precisamente no que diz respeito ao acontecido em terras bolivianas, na noite da última quarta-feira, onde um garoto local morreu atingido por um sinalizador.

A história todos nós já conhecemos e eu não vou dar uma de Denílson chorando ridícula e forçosamente em público. O fato é que, passadas 36 horas do ocorrido, apenas duas atitudes concretas foram tomadas: a prisão preventiva de doze torcedores  alvinegros e a obrigação do nostro rival jogar a Libertadores com os portões fechados.

Vejam só: um torcedor foi estupidamente morto e a punição para tudo isso foi… jogar sem torcida. Aliás, trocando em miúdos, a punição foi jogar a culpa para a torcida.

(Aliás, um breve parenteses: se os que estão presos na Bolívia têm tanta certeza de que o verdadeiro culpado voltou ao Brasil, como bradaram aos microfones, que deem o nome do rapaz e tudo será resolvido. Ficar de proteçãozinho com bandido é ser cúmplice.)

Pode-se discutir se a medida é generalista ou não, justa ou não, mas o fato é que esse ato, sozinho, não é nada. Isso não muda absolutamente nada! Essa medida é retrato cuspido e escarrado da pior confederação do mundo, a Comenbol, que conta com a anuência de outras tão ruins e mafiosas quanto – FIFA, CBF, Concacaf, etc. – para continuar no poder do futebol sul-americano.

Afinal, uma confederação que acha normal que escanteios sejam batidos com proteção policial e que até este ano não punia atletas por acúmulo de cartões amarelos (embora cada um deles valha vistosos 100 dólares), não tem muita moral para pagar de Rei Salomão agora.

O fato é que casos trágicos como este são terríveis, mas infelizmente parecem ser os únicos que têm o poder de causar mudanças reais na vida das pessoas. E este poderia e deveria ter sido tratado como um exemplo, como algo maior, semelhante ao acontecido na Inglaterra em 1985. Seria a oportunidade de finalmente se fazer justiça às centenas de outros garotos, homens e mulheres que já morreram dentro ou nos arredores de um estádio de futebol. Seria a hora de se punir quem organiza, quem participa e quem permite que se mate.

No entanto, a decisão foi puramente especulativa. Que se pense no torneio, não no esporte, muito menos na vida. “Vamos punir o clube, a imprensa internacional dirá que se fez justiça com os bárbaros e pronto, assunto resolvido” – pensou do alto dos seus 200 anos de idade o corpulento Nicolás Leoz.

E, sim, o mundo vai aceitar esta decisão. Todos nós vamos. Eu, você, seus pais, amigos. E daqui a pouco, quando a imprensa requentar o assunto dizendo que já faz um ano que tudo isso aconteceu, comentaremos “Mas já?” – graças a nossa habilidade de esquecer as desgraças cotidianas.

Por favor, entendam: é óbvio que a punição ao clube tem que ser feita. Mas também temos que punir confederação, policiamento local e internacional (afinal, quem embarca com sinalizadores marítimos rumo à Bolívia?) e, acima de tudo, sentar a bunda em uma sala da FIFA e fechar uma nova legislação criminal ligada ao futebol.

Mas, não. Lá se foi a vida de outro torcedor em troca de um estádio vazio.

Portanto, antes de imbecilmente gritar “Chupa, Curintia” e sair por aí achincalhando todo mundo, coloque na sua cabeça que você também foi prejudicado. Todos nós fomos. Porque, mais uma vez, o futebol perdeu.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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Infelizmente, perdemos um grande Palestrino nesta madrugada.

Sim, Joelmir Beting, apenas 75 anos, faleceu de quarta para quinta-feira. Jornalista por formação, economista por profissão e palmeirense por pura paixão, partiu em uma noite de futebol, embora sem jogo do Palmeiras – o que, na atual fase, chega a ser uma homenagem.

Se você não o conhece, saiba que é dele a frase que melhor nos exprime: ‎”Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… É simplesmente impossível!”. E foi ele quem ensinou outro monstro do jornalismo, Mauro Beting, a ser Verdão.

Mauro que deixa bem claro em sua carta de despedida ao pai que, dentre as muitas contribuições que teve em sua vida, talvez a maior delas tenha sido ensiná-lo a amar a Sociedade Esportiva Palmeiras. Que ainda era Palestra Itália quando Joelmir veio ao mundo, em 1936, mas que, para ele, sempre foi Palmeiras. O nosso Palmeiras.

E, talvez emocionado pela perda de um palmeirense nato, me senti obrigado a agradecer ao meu pai por também ter-me feito Palestrino. Muito obrigado, “Seu Rui”! Um agronômo de origem espanhola que vira um legítimo italiano quando o alviverde imponente entra em campo. Até mesmo quando o time nos deixa impotentes. Até mesmo quando a esperança não está mais presente.

Obrigado, pai, por me ensinar e continuar ensinando que o amor incondicional ao Palmeiras é igual ao amor incondicional a família: você não escolhe, simplesmente ama. E mesmo quando a outra parte te dá uma resposta atravessada ou alguns motivos para esse amor diminuir, ele só cresce. Porque o amor é isso. E eu te amo, pai.

Quanto a você, Joelmir, vá em paz e assista de camarote ao céu voltar a ficar verde no ano que vem.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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Mais um domingo de morte, Palestrinos…

Até quando teremos que dormir com este barulho? Até quando uma pedra, uma bala ou um rojão irão tirar o foco e a alegria do futebol? Até quando esses episódios farão as nostras famílias torcerem para não irmos mais até o estádio?

Ontem foi um palmeirense, amanhã pode ser um são-paulino, um corintiano, santista. A violência não escolhe camisa, ela bate em todos. Dessa vez foi um dos nostros. E, me desculpem pela frieza, mas não sinto dó: ele morreu porque quis, porque foi lá para brigar. Quem briga pode se ferir, é assim que é. O que me deixa chateado são as marcas que o futebol ganha.

O jogo de torcida única já é quase realidade. A opinião pública é essa, a Europa tem feito isso (a torcida do Olympique, por exemplo, não irá até Paris assistir PSG x Marseille) e o caminho está pavimentado. E isso sim é um crime contra o futebol! Porque não há vitória melhor do que a vitória conseguida na casa do adversário. Mas esse é o caminho mais fácil, não é, Ministério Público?

Assim como é fácil banir as torcidas organizadas dos estádios. Até eu – que já cansei de criticar aqui as “desorganizadas” e que acho que elas são, sim, foco de violência – sei que isso não ajudará em nada. O papo é o mesmo desde 1995 e, convenhamos, nada mudou. O que tem qu mudar são as atitudes das autoridades.

Já que se quer copiar modelos europeus, que copie-se os bons então. Ou todos ignoram o que aconteceu na Inglaterra há mais de 15 anos e que mudou o futebol, por exemplo? Cadastrem os torcedores, tenham um histórico deles e, de acordo com o que acontecer, as medidas serão tomadas. Desde uma “suspensão” dos estádios até a prisão.

Outra medida necessária: inteligência. Cacetetes e bombas de efeito moral não resolvem o problema na raiz; o que resolve é a inteligência. Rastreiem telefonemas, analisem as redes sociais, tratem o problema com o tamanho que ele tem. Colocar exército nas ruas para um evento de um mês é fácil, difícil é combater a violência onde ela nasce e onde ela se esparrama.

Enquanto tratarem essas mortes como algo do esporte, nunca chegaremos a uma solução. É hora de acordar, amigos! Esqueam os próprios umbigos e vamos ás ruas!

Siamo Palestra, Siamo Calcio!

ROJAS.

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