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Posts Tagged ‘renda’

Eu não estou louco, Palestrinos. Sei que hoje tem jogo contra a Ponte, sei muito bem que temos um Dérbi se avizinhando no próximo domingo e a intenção deste post jamais seria desviar o foco de uma temporada que promete muito.

Mas torcedor de arquibancada que sou já há 25 anos, preciso abordar um tema que vem me incomodando muito: os altos preços e o público presente no novo Allianz Parque.

Estive em todos os principais momentos do estádio até aqui (obras parciais, filme sobre 1993, jogo festivo do Divino, partidas sofríveis do Brasileirão, amistosos de início de ano e também na estreia do Campeonato Paulista). E em todos estes dias mágicos – independente do resultado – só tive a lamentar o altíssimo dinheiro investido e também os bate-bocas recorrentes causados pelos insistentes pedidos para que eu me sentasse durante as partidas.

Veja bem, eu sou publicitário. Mas nem precisaria saber nada de marketing para entender que ninguém faz nada de graça. Se a WTorre construiu um estádio moderno e repleto de serviços, é porque o retorno dele seria gigantesco. Mas não dá, em um país como o nostro, para cobrar de 100 a 500 reais por um ingresso de futebol. SIMPLESMENTE NÃO DÁ!

E que pese aqui o fato de eu não estar sendo saudosista. Lembro-me do meu pai pagar 10 reais em ingressos do Paulistão de 1993, mas sei que os preços subiram. O problema é que, ao ser ganancioso ao extremo, você perde muito mais do que ganha. O exemplo veio no sábado passado: em uma tarde pra lá de aprazível, com a massa empolgada, tivemos apenas 25 mil pessoas. Em um estádio para 45. Tá errado, não importa o ponto de vista.

Quanto ao público presente aos jogos, o debate está aí desde a Copa do Mundo. Com preços mais altos, limita-se o acesso de muitos torcedores ao estádio, trazendo um novo tipo de “consumidor”. Nada contra trazer mais gente para os estádios (muito pelo contrário), mas essa troca de público trouxe algumas coisas bastante chatas pra dentro do jogo.

Pode até ser que eles tenham um poder financeiro maior. Que gastem mais nas lanchonetes, na loja, nos arredores. Pode ser até que imitando o que a Premier League fez na Inglaterra (com sucesso de ocupação e renda). Mas em campeonato pobres e mal organizados como os nostros, fica difícil aceitar qualquer argumento vindo do Reino Unido, não é mesmo?

Passada a raiva do elenco de 2014, o que tenho sentido este ano é um ódio ainda maior vindo de pessoas que, literalmente, sentam ao meu lado. Ali, em sua pequena cadeira numerada, eles passam 90 minutos fiscalizando o que os outros fazem ao invés de se preocuparem com a partida. Pedem para sentar, para não pular tão alto, para tomar cuidado com o copo de refrigerante que está batendo no meu joelho. E, sinceramente, eu quero que eles se explodam.

Estádio de futebol foi feito para extravasar. Cantar, gritar, xingar, pular, correr pelos degraus se for preciso. Só que, por causa desse “novo comportamento”, fui obrigado a mudar o local onde compro ingressos. Tive que desistir do Gol Sul (o meu querido gol da piscina) e migrar ao Gol Norte.

Parece, aliás, que isso foi cruelmente armado por quem planejou a arena: empurrar quem quer pular para trás de um gol e deixar o resto para quem quiser – ainda que o “resto” seja dois terços vazios de um estádio. “Vamos copiar aquela ideia do Borussia Dortmund”, algum executivo deve ter dito. E errado em cheio.

Enfim, achei que, a esta altura, o fator novidade já teria sido amenizado. E com ele, óbvio, teriam ido embora os preços surreais – trazendo de volta ao estádio aqueles que jamais abandonaram a equipe fosse no Pacaembu, em Barueri, Prudente ou qualquer outra cancha deste país.

Infelizmente, no entanto, isso não é verdade.
E a realidade tem sido injusta com a gente.

Siamo Palestra!

ROJAS

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É para refletir, Palestrinos.

Hoje o Diário Lance! traz uma reportagem que aborda o aspecto econômico do Palmeiras. Focando a renda (que caiu vertiginosamente no início de 2010) e o novo/fracassado programa de sócio-torcedor, o “Avanti”, a matéria questiona onde o clube vai parar deste jeito.

E, convenhamos, é uma pergunta plausível.

Afinal, é fácil entender a queda no número de torcedores no Palestra (o fracasso no Brasileirão-09, a péssima campanha no Paulista, os ingressos insistentemente caros) e o fracasso do Avanti (entenda perfeitamente aqui). Mais difícil é encarar que o buraco é muito mais fundo do que isso.

Desde que a Parmalat saiu, muitas lendas foram contadas – R$30 milhões em caixa, só dívidas deixadas, rombo no orçamento? – e a grande verdade é que só tivemos administrações horríveis. Contratações desastrosas, patrocínios mal negociados, profissionais escusos… aconteceu de tudo.

Quando saiu o sapo gordo, aliás, parecia que estávamos resolvidos. Mas nem um dos maiores economistas do país conseguiu dar jeito e o buraco parece mesmo não ter fundo. O que teria acontecido com o campeão do século XX?!

E a grande verdade é que eu, pelo menos, não sei. Saberia responder dúvidas pontuais, como o fracasso do Avanti e as contratações pífias da última década, mas a grande resposta, aquela de 1 milhão de dólares, eu não tenho. E, cada vez mais, estamos como o rei do conto: nus, mas achando que nostro traje é o mais bonit0 do reino.

Como disse o corneteiro José Serra, “é mais difícil ser presidente do Palmeiras do que presidente do Brasil”.

A politicagem está nos matando, Palestrinos. Eu só espero que consigamos frear isso tudo a tempo.

Siamo Palestra!

ROJAS.

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